Autores: Raquel de Oliveira Sousa; Roberto Souza Junior
Tipo: Artigo
Resumo:
Neste artigo refletimos sobre a recente implementação do reconhecimento facial nas catracas de acesso dos estádios de futebol no Brasil, que após a Lei Geral do Esporte (2023), passa a ser medida obrigatória a partir de 2025 em estádios para mais de 20 mil pessoas. Para além de uma discussão acerca de tecnologias e segurança, buscamos aqui abordar algumas questões específicas da perspectiva torcedora, e assim destacar o que tem a dizer os múltiplos atores deste contexto, como torcedores organizados, comuns, coletivos torcedores e torcedores antifascistas. A partir de incursões etnográficas em jogos nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, tanto em estádios e arenas que já possuem a tecnologia (Allianz Parque, São Januário, Nilton Santos e Maracanã), como em outras que ainda não a implementaram (Morumbis e Neo Química Arena), conversamos sobre as experiências e expectativas dos torcedores a respeito da imposição da nova mudança. Com isto, visamos tensionar a positivação da nova medida, vendida pelo poder público e propagada pela mídia como uma medida definitiva de segurança, com a perspectiva torcedora que, apesar de vivenciar no próprio corpo as consequências desse processo, tem sido constantemente apartada desse debate. Afinal, o reconhecimento facial nos estádios seria mesmo apenas uma nova e interessante tecnologia de segurança, ou mais um mecanismo de vigilância, sobretudo às camadas mais populares e negras que ainda nos restam nas novas arenas de futebol no Brasil?
Como citar: SOUSA, Raquel de Oliveira; JUNIOR, ROBERTO SOUZA . Reconhecimento facial nos estádios, tecnologia de segurança ou mecanismo de vigilância? Notas etnográficas sobre a importância da perspectiva torcedora para o debate. Tematicas, v. 33, p. 51-78, 2025.

